Sala de operação de uma empresa às escuras sob luz de emergência, ilustrando o custo do ransomware quando a operação para
Segurança da informação

Custo do ransomware: por que o resgate é a menor parte da conta

Por que um ataque virou um problema de continuidade do negócio — e não apenas de segurança

Quando um ataque de ransomware entra na conversa, quase todo mundo pensa primeiro no valor do resgate. Afinal, essa é a parte que aparece nas manchetes. No entanto, ela representa apenas uma pequena parcela do prejuízo.

Hoje, no Brasil, o custo médio consolidado de um ataque varia entre R$ 6 milhões e R$ 7,19 milhões. Esse valor reúne despesas com recuperação técnica, perda de receita durante a paralisação, multas relacionadas à LGPD e danos à reputação. Em comparação, o resgate, quando a empresa decide pagá-lo, costuma representar apenas uma fração desse total.

Em outras palavras, o ataque não paralisa apenas os dados. Ele paralisa o negócio.

O verdadeiro impacto do ransomware

É justamente aqui que a perspectiva muda.

Enquanto as empresas tratam o ransomware apenas como um problema da equipe de segurança, elas tendem a subestimar seu impacto. Na prática, porém, o dano mais grave não acontece nos servidores. Ele acontece na operação.

Quando criminosos sequestram os sistemas, a fábrica para. Os pedidos deixam de entrar, as notas fiscais deixam de ser emitidas e os clientes ficam sem resposta. Como consequência, cada hora de interrupção representa receita perdida e confiança comprometida.

Por isso, a leitura correta não é “fomos hackeados”. A pergunta certa é: quanto tempo ficamos sem operar?

Em 2026, o ransomware se tornou um evento de continuidade de negócios. O dado criptografado é apenas o sintoma. A operação interrompida é o verdadeiro problema.

O cenário ficou ainda mais hostil

Além do impacto financeiro, o volume de ataques continua crescendo.

Nos últimos doze meses, os casos de ransomware aumentaram cerca de 25%, impulsionados principalmente pelo modelo de Ransomware as a Service (RaaS). Com esse formato, grupos criminosos passaram a vender ataques como um serviço, reduzindo a barreira de entrada para novos criminosos.

Ao mesmo tempo, o Brasil entrou definitivamente no radar dessas organizações.

Um exemplo é o grupo Vect 2.0, que já direciona ataques a empresas brasileiras dos setores de educação, saúde, tecnologia, manufatura e energia. Além de criptografar informações, o grupo também consegue destruir dados de forma permanente. Dessa forma, simplesmente restaurar backups pode deixar de ser suficiente.

Quando isso acontece, a preparação realizada antes do incidente passa a ser o principal fator de sobrevivência da empresa.

A conta vem em quatro frentes

Entender como o prejuízo se forma ajuda a identificar onde investir primeiro.

1. Recuperação técnica

Reconstruir ambientes, limpar sistemas, validar a integridade dos dados e restaurar serviços exige equipes altamente especializadas. Além disso, muitas empresas precisam contratar fornecedores externos em caráter emergencial, o que aumenta significativamente os custos.

2. Receita perdida

Essa costuma ser a parcela mais cara — e também a menos percebida.

Cada hora de operação interrompida possui um valor financeiro. No entanto, poucas organizações calculam esse número antes de enfrentar um incidente.

3. Multas e obrigações legais

A LGPD ampliou a responsabilidade das empresas em casos de vazamento de dados pessoais. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que essa responsabilidade pode existir independentemente de culpa.

Na prática, dizer que “a empresa fez o possível” já não basta para afastar consequências jurídicas.

4. Danos à reputação

A reputação demora muito mais para ser reconstruída do que os sistemas.

Depois que um cliente perde a confiança, dificilmente um simples pedido de desculpas recupera esse relacionamento.

O que realmente reduz o prejuízo

Nenhuma solução oferece imunidade contra ransomware.

O que realmente pode ser comprado é tempo de recuperação. E essa vantagem é construída antes do ataque, nunca durante a crise.

Três medidas fazem a maior diferença.

Primeiro, mantenha backups testados, porque um backup que nunca passou por uma restauração é apenas uma esperança.

Depois, desenvolva um Plano de Continuidade de Negócios, definindo claramente quem toma cada decisão nas primeiras horas do incidente.

Por fim, estabeleça um RTO (Recovery Time Objective) realista. Esse indicador define quanto tempo a empresa aceita permanecer parada e orienta toda a estratégia de recuperação.

Em conjunto, essas três práticas reduzem significativamente o impacto financeiro e operacional de um ataque.

No fim das contas, a diferença entre um incidente controlado e uma crise prolongada raramente está na sofisticação dos criminosos. Ela está no nível de preparação da empresa antes que qualquer problema aconteça.

A pergunta que realmente importa

No fim, a conta não é o valor do resgate.

A verdadeira conta corresponde ao tempo em que sua empresa permaneceu de portas abertas, com funcionários disponíveis e clientes esperando, mas sem conseguir operar.

Por isso, vale fazer uma pergunta simples:

Quanto custa uma hora de operação parada para o seu negócio?

Se você ainda não sabe responder, esse é o primeiro indicador que precisa descobrir. Afinal, é esse número — e não o valor do resgate — que determina o tamanho real do seu risco.

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